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HISTÓRIA

 

Em virtude de, na extensa freguesia de Carnaxide outrora integrada, para além da mesma,  pelas povoações de Algés, Dafundo, Cruz-Quebrada, Linda-a-Velha, Linda-a-Pastora, Queijas, Outurela e Portela, só existir uma Corporação de Bombeiros (a de Algés), um grupo de homens, de boa vontade, idealizaram estruturar também uma em Carnaxide.

No entanto, para se poder inaugurar o Quartel, era necessário haver material, sendo o mais importante uma bomba de caldeira, não existindo porém fundos monetários para a sua aquisição.

Eis que, Sr. Justino Nunes, conhecido na altura como Comandante Justino, resolveu hipotecar a sua casa por 250 mil Reis (Escritura efetuada em 17 de Julho de 1909) ficando, assim, responsável pela divida da compra da bomba.

Só assim foi possível que, em 1 de Setembro de 1912, os senhores Justino Anastácio Nunes, Luis Vicente Félix e Agostinho Lopes fundassem a Associação dos Bombeiros Voluntários de Carnaxide.

 

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Aquando da fundação, estava a sede instalada na Rua 5 de Outubro, nº25, ocupando posteriormente vários locais, nomeadamente nº18 da mesma rua tendo, por último, já como Quartel, a sua instalação num barracão, que servia de carvoaria (sito na mesma Rua 5 de Outubro) propriedade da família Calças e que, a posteriori foi adquirida pela Direção da Associação.

Este quartel foi, ao longo, de vários anos, sofrendo várias reparações de modo a dar progressivamente melhores condições para o fim a que foi destinado

Em 1915 os Senhores António Bento e António Apolinário criaram, no Quartel, um posto de primeiros socorros.

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1º Quartel dos Bombeiros

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Maca de tração braçal

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1ª Carro automóvel (1915)

Em 1929, face à evolução da tuberculose que, há vários anos vinha assolando o Concelho de Oeiras, o Sr. Francisco Mora Domingues na altura Subchefe dos Serviços de Saúde desta corporação, pensou em estruturar um “posto de desinfeção domiciliária” a cargo dos Bombeiros de Carnaxide, com o intuito de combater a progressão da terrível doença infectocontagiosa no Concelho de Oeiras.

 
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Sendo Agente sanitário da D.G.Saúde, solicitou à mesma, com o parecer favorável do Médico Municipal do Concelho de Oeiras (Dr. Gilberto Monteiro), a cedência de um “formolizador”.

Em Junho de 1929 a DGS autorizou a cedência de tal aparelho com a condição de, só o técnico Sr. Mora ficar responsável pelo tal funcionamento.

A partir desta data, o “Médico Municipal” passou a determinar a desinfeção do quarto e das roupas dos falecidos com doenças infetocontagiosas.

Assim, foi criado o único “Posto de desinfeção” a cargo de uma Corporação de Bombeiros Voluntários que, só deixou de funcionar, no momento em que o surto infetocontagioso foi dado como extinto no Concelho de Oeiras.

Em 1959, num período um tanto ou quanto conturbado da Associação, mais uma vez, um grupo de amigos se dispôs a candidatar-se para os corpos gerentes, com a promessa de resolver os problemas existentes, o mais urgentemente possível.

Fizeram parte destes corpos gerentes os senhores:

  • Eng.º Henrique Pádua de Carvalho
  • Manuel Ribeiro Gaspar
  • Fernando José Silva de Mora
  • Carlos da Conceição Braz
  • Helder da Silva Melo´
  • Carlos Octávio de Sousa
  • António Bitoque
  • Major do CEM António Ramos Jorge
  • Capitão-de-mar-e-guerra Campos Andrade
  • Francisco Mora Domingues

Após a tomada de posse dos novos corpos gerentes e, face aos problemas existentes, a primeira ação tomada foi a exposição ao Sr. Inspetor de Incêndios da Zona Sul, a posição da nova Direção, como responsável pela Associação, perante aquela Inspeção.

Em seguida e, após a resolução dos problemas existentes na Associação iniciou-se a execução do projeto de ampliação do Quartel, com a colaboração dos Serviços Técnicos da Câmara Municipal de Oeiras.

As obras então encetadas consistiram:

Ao nível do piso térreo – consolidação de paredes-mestras e construção de um Gabinete Médico, de um Posto de socorro, de instalações sanitárias e de uma casa para o Quarteleiro;
Construção de um 1º piso – nesse piso foram criadas salas para a Direção e para o Comando, um Ginásio com os respetivos balneários e vestiários;
Varandim – por cima da placa que servia de teto às salas, balneários e vestiários, foi criado um varandim permitindo ao público assistir a qualquer tipo de espetáculo efetuado no Ginásio;
Casa escola – os três andares existentes foram aproveitados na construção de uma camarata para o piquete de serviço e, ainda, para arquivo e arrumações.

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Para embelezar a frente do edifício foi colocado um emblema da Associação, da autoria do Sr. Fernando Mora que, para além de pertencer à Direção, foi parte integrante do corpo ativo dos Bombeiros até meados dos anos quarenta, tendo inclusive, participado no combate ao incêndio que assolou o Palácio de Queluz em Outubro de 1934. Mais tarde e, durante a vigência desta Direção, desempenhou temporariamente as funções de Comandante Interino, em substituição do Comandante Ferraz.

 Este emblema encontra-se atualmente colocado no cimo da Casa escola do novo Quartel.

Igualmente para ornamentar o ginásio e dar luz ao mesmo, foi construído na parede um vitral da autoria do pintor Sr. Mateus Costa, baseado igualmente no emblema da Associação. Este vitral, continua colocado no referido ginásio, agora a ser utilizado pela Junta de Freguesia, correndo o risco de se degradar totalmente.

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As obras prolongaram-se durante cerca de cinco anos, tendo sido concluídas nos finais de 1964.

Entretanto, com a finalidade de angariação de fundos para o apetrechamento do novo ginásio e, com o apoio da família Gandrup, realizou-se a Festa do Cavalo.

A comissão de honra foi constituída por:

  • D. Amália Ruggeroni
  • Dr. João Pedro de Pimentel Mosca da Rocha Calisto
  • Presidente da Junta de Freguesia de Carnaxide
  • Major António José Ramos Jorge
  • Mateus Costa
  • Per Grandup

Assim no dia 29 de Agosto de 1964, realizou-se no Picadeiro da Quinta do Morval, propriedade da família Grandup, com a colaboração da Escola de Equitação Costa do Sol de Caxias, uma gincana hípica e uma demonstração de alta escola, cujo relato das evoluções foi efetuado pelo Sr. Fernando Pessa.

No dia 30, na eira do Sr. António Matias existente por detrás da antiga Garagem da V.M.Carnaxide, sita na Av. Tomás Ribeiro, efetuou-se uma Cavalhada (à antiga portuguesa), com a atribuição, entre outros prémios, de uma valiosa taça para o cavaleiro que melhor se apresentasse trajado a rigor.

Finalmente, no dia 21 de Novembro de 1964 realizaram-se os festejos da inauguração das novas instalações do Quartel-sede dos Bombeiros Voluntários de Carnaxide.

As cerimónias começaram com uma romaria ao Cemitério de Carnaxide, para depor flores nas campas dos voluntários falecidos, seguida de uma parada com a representação das corporações do Concelho de Oeiras e de Voluntários de Cascais, Sintra, Almada e Barreiro.

Seguidamente procedeu-se à inauguração dos importantes melhoramentos efetuados no seu Quartel.

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Após o içar da bandeira, na varanda do quartel e da visita às novas instalações houve, no novo ginásio, uma sessão solene, presidida pelo Sr. Arq. António B. Costa Cabral de Macedo (Presidente do Município de Oeiras) e, em representação do Sr. Dr. Vaz Osório (Governador Civil de Lisboa), tendo a secretariá-lo os Srs. Cor. Ribeiro Viana (inspetor do Serviço de Incêndios), Ver. Escudeiro (Prior da Freguesia de Carnaxide), Fernando Nunes (Comandante dos B.V. de Carcavelos) em representação da Liga Portuguesa dos Bombeiros, Major do C.E.M. Ramos Jorge (Presidente da Assembleia Geral), o Presidente da Junta de Freguesia de Carnaxide e Eng.º Pádua de Carvalho (Presidente da Direção).

Presentes também, além de muitos associados, toda a vereação da Câmara Municipal de Oeiras e representantes de todas as corporações do Concelho de Oeiras, exceto a de Algés e Voluntários de Lisboa, Cascais e Sintra.

Deu início à sessão, o Sr. Major Ramos Jorge, que historiou a vida da Associação ao longo daqueles 5 anos tecendo várias e interessantes considerações. Acrescentou, ainda, que em Assembleia-Geral daquela Associação tinha sido resolvido por unanimidade galardoar: com a medalha de “Cruz de Abnegação, com palma”, os Srs. Governador Civil de Lisboa, Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Eng.º António Fernando Ferreira da Silva e Joaquim Tojal. Com a “Cruz de Abnegação (Agradecimento) ” a Junta de Freguesia de Carnaxide e os Srs. Fernando Mora, Mateus Costa e José Fortunato Melo Pereira. E, com “Diplomas de agradecimento” os Srs. Eng.º Plácido Pires, Estêvão Manuel Coelho, Silva Jorge, Eugénio Barreto e Sertório de Aguiar, galardões que foram entregues, entre salvas de palmas e ao som da afamada banda da Sociedade Filarmónica Fraternidade de Carnaxide.

Consecutivamente foi descerrada uma placa que, deu ao novo Ginásio, o nome de Eng.º Pádua de Carvalho, presidente da Direção. Após bênção por parte do prior da Freguesia, decorreu uma sessão visando enaltecer os Bombeiros de Carnaxide, os Srs. Cor. Ribeiro Viana, Rev. Escudeiro, Major Ramos Jorge, Eng.º Pádua de Carvalho, último dos quais em grande comoção, agradeceu a homenagem que lhe tinha sido prestada, considerando-a imerecida. Por último, o Sr. Presidente da Câmara, em seu nome e de toda a edilidade congratulou-se bem como a direção dos Bombeiros pelos melhoramentos efetuados na Corporação.

Às 18h00 realizou-se um concerto com a Banda da Sociedade Filarmónica Fraternidade de Carnaxide.

Às festividades juntou-se, também, o Sport Algés e Dafundo que, na cerimónia da inauguração do ginásio, se fez representar com classes de ginástica mista da Professora D. Maria Helena Azinhais.

Em 1968 o ginásio passou a ser utilizado, aos Domingos de manhã, pelo corpo ativo da corporação, com o intuito de melhorar a sua condição física aula esta ministrada pelo Sr. Carlos Mora.

Esta Direção manteve-se em funções durante 10 anos tendo, para além dos melhoramentos atrás citados, equipado ainda os bombeiros com uma ambulância Ford V8, uma ambulância Mercedes e um autotanque.

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Ambulância Ford V8

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Ambulância Mercedes

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1º autotanque

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